sábado, 17 de janeiro de 2009

Antes da infidelidade (parte 1)

Vou recuar cerca de trinta e cinco anos, até ao tempo em que quase tudo estava no início na minha vida.

O “antes” começou quando eu tinha cerca de doze anos de idade, quando a minha professora de francês pôs uma nota no caderno para que o meu encarregado de educação (minha mãe), entrasse em contacto com a directora de turma com urgência. Estávamos no final do primeiro período do ciclo preparatório e, para evitar o mais que provável chumbo a francês, a professora convocara o meu encarregado de educação.
A minha mãe ficou a saber que eu era péssimo a francês e que ia ter uma nota muito baixa e de recuperação difícil. Uma semana mais tarde, comecei a ter explicações com a "D" duas vezes por semana.
As explicações eram dadas em minha casa e tinham a duração do tempo necessário para recuperar parte da matéria atrasada, rever a matéria da semana e ainda corrigir trabalhos de casa passados pela professora de francês e também que ela própria me deixava para fazer.
No início, eu não achava graça nenhuma ter os meus amigos a jogar à bola ou a brincar aos cowboys e aos índios e eu na sala ou na cozinha à volta do "Passé Composé com o Être e o Avoir" e com a “D” a exigir a minha concentração e colaboração. Mas, ao fim de pouco tempo, uma ou duas semanas, as coisas começaram a encaixar umas nas outras e aquilo que parecia para mim um "bicho-de-sete-cabeças" impossível de ultrapassar, estava a tornar-se cada vez mais fácil e interessante ao ponto de eu tirar tanto prazer na resolução dos exercícios de francês na companhia da “D” como se estivesse a marcar golos ou a matar cowboys com os meus amigos (eu sempre preferi ser índio a cowboy).
A preparação para o primeiro teste de francês no segundo período foi algo que a “D” assumiu como a sua obra e investiu de tal maneira que lembro-me de ter gasto mais de duas sebentas de exercícios. Eu lutava como um Cheyenne contra os “caras pálidas”. Não virava costas à luta e evidenciava coragem suficiente para desafios cada vez maiores. Ela, determinada por natureza e motivada pela minha dedicação, não deixava uma única dúvida, por menor que fosse, por esclarecer ao ínfimo detalhe.
Quando trouxe o resultado da primeira batalha a “D” ficou tão satisfeita e radiante que deu-me um beijo de parabéns. Eu ficara muito feliz e ela muito mais que feliz e orgulhosa.
A “D” tinha dezoito anos. Olhos e cabelos castanhos-escuros não muito compridos. Era relativamente alta, cara arredondada e elegante. A sua maior beleza, era a sua simplicidade e a ternura que irradiava à sua volta em tudo o que fazia. Não me lembro dum único gesto dela que pronunciasse sacrifício ou incómodo. A sua bondade, a sua dedicação e a amizade que manifestava causavam-me um sentimento de admiração que de dia para dia não parava de aumentar.

10 comentários:

Tecnenfermaginando disse...

e assim nasceu o amor
:-)

Branca disse...

Gosto muito da maneira como escreve, dá vontade de ler mais e mais...

Boa semana pra ti,
bjos.

Eu sei que vou te amar disse...

Simplesmente maravilhosa a tua escrita, sentimentos profundos que tocam a tua pena enaltecendo a beleza feminina, sensual e sublime!
A "D" fica a bela homenagem de um tempo que ficara na saudade!
Um beijo doce

Paula Raposo disse...

E mais tarde casaste com ela. Aposto. Obrigada pela tua visita. Beijinhos.

Saara Senna disse...

Nossa, estou encantada com sua narração. Parabéns pela clareza de idéias, apesar de ser um texto longo, mas quanto mais lemos, mais qeremos ler... muito bom mesmo!
Vou te acompanhar para saber cenas do próximo capítulo ok! Se for igual novela, acho que já sei o final rsrrsrs

Beijo grande e ótima semana!

Passaro Azul disse...

Linda esta tua "história" verdadeira! Continua com ela, pois apetece tanto ler mais!
Adorei ter-te descoberto.
Abraço-te na esperança de continuar a seguir a tua realidade.

O Faroleiro disse...

Passaro azul, muito obrigado pela tua visita.
Até breve

Sonia Schmorantz disse...

Para refletir:
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
Não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo
de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
(William Shakespeare)

Faça dessa nova semana um novo início rumo à
felicidade.
abraços

Grande Jóia disse...

Este é um tema que me interessa ler. Os homens analisam este assunto de forma diferente ou talvez não. Vou estar atenta.

Pedrasnuas disse...

Arranjei um tempo extra para te ler...um texto bem urdido,muito simpática a forma como descreves a "D".
Tudo muito puro e bonito!!!!