quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Antes da infidelidade (parte 2)



A “D” estava sentada ao meu lado a cumprir aquela que seria a sua última explicação. Como Já não havia matéria nova para explicar, então, dirigia-me elogios pelas notas dos últimos testes e do “Muito Bom” a francês. Falava-me das férias e do tempo livre que eu iria ter para estar com os meus amigos. Da minha nova escola e do curso industrial. Mas eu não conseguia reagir. Estava demasiado triste. Tudo o que eu fizera, fora por ela. Para a não decepcionar. Para que gostasse muito de mim e agora era o fim. Ela ia-se embora e eu iria perder tudo. Era esse o sentimento que eu tinha: Perda total.
Ela apercebera-se de tudo o que eu estava a sentir e descansou-me dizendo-me que poderíamos ficar amigos. E para me tranquilizar ainda mais, perguntou-me se eu quereria ir ao cinema com ela nesse fim-de-semana.
Mais tarde, eu percebera que também ela se afeiçoara a mim.
O meu corpo e as minhas hormonas estavam em transformação. O meu comportamento e a minha compreensão sobre os acontecimentos as coisas e as pessoas, tinham outra amplitude.
A minha admiração pela “D” passara para o nível da paixão, do amor.
A “D” nesta altura, fora determinante para os equilíbrios da minha adolescência. Fora uma luz, um caminho uma referência.

As nossas idas ao cinema Restelo. Os nossos passeios a pé por Belém e por Lisboa. As nossas idas à praia e os jogos de sueca em que ela era sempre a minha parceira. As partidas de Monopólio que fazíamos os dois sozinhos durante horas. As nossas conversas, os nossos silêncios cúmplices e o nosso contacto fortuito de pele, levaram-me a construir um mundo dividido em dois hemisférios: O hemisfério Com “D” e o hemisfério Sem “D”.
O hemisfério Sem “D” era o mundo real. Eram as dificuldades do dia-a-dia, o perigo das escolhas e das opções. Os amigos e as namoradas que nunca passaram para o outro hemisfério…
O hemisfério Com “D” era o lugar dos meus sonhos, o paraíso. Era para onde eu me transportava à noite embalado pelos Demi Russos e imaginava a minha vida ao lado da “D”. Curiosamente, nunca tive pensamentos de luxúria ou prazer com a “D”. A minha felicidade estava no conforto da ideia de ela estar à minha espera...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Antes da infidelidade (parte 1)

Vou recuar cerca de trinta e cinco anos, até ao tempo em que quase tudo estava no início na minha vida.

O “antes” começou quando eu tinha cerca de doze anos de idade, quando a minha professora de francês pôs uma nota no caderno para que o meu encarregado de educação (minha mãe), entrasse em contacto com a directora de turma com urgência. Estávamos no final do primeiro período do ciclo preparatório e, para evitar o mais que provável chumbo a francês, a professora convocara o meu encarregado de educação.
A minha mãe ficou a saber que eu era péssimo a francês e que ia ter uma nota muito baixa e de recuperação difícil. Uma semana mais tarde, comecei a ter explicações com a "D" duas vezes por semana.
As explicações eram dadas em minha casa e tinham a duração do tempo necessário para recuperar parte da matéria atrasada, rever a matéria da semana e ainda corrigir trabalhos de casa passados pela professora de francês e também que ela própria me deixava para fazer.
No início, eu não achava graça nenhuma ter os meus amigos a jogar à bola ou a brincar aos cowboys e aos índios e eu na sala ou na cozinha à volta do "Passé Composé com o Être e o Avoir" e com a “D” a exigir a minha concentração e colaboração. Mas, ao fim de pouco tempo, uma ou duas semanas, as coisas começaram a encaixar umas nas outras e aquilo que parecia para mim um "bicho-de-sete-cabeças" impossível de ultrapassar, estava a tornar-se cada vez mais fácil e interessante ao ponto de eu tirar tanto prazer na resolução dos exercícios de francês na companhia da “D” como se estivesse a marcar golos ou a matar cowboys com os meus amigos (eu sempre preferi ser índio a cowboy).
A preparação para o primeiro teste de francês no segundo período foi algo que a “D” assumiu como a sua obra e investiu de tal maneira que lembro-me de ter gasto mais de duas sebentas de exercícios. Eu lutava como um Cheyenne contra os “caras pálidas”. Não virava costas à luta e evidenciava coragem suficiente para desafios cada vez maiores. Ela, determinada por natureza e motivada pela minha dedicação, não deixava uma única dúvida, por menor que fosse, por esclarecer ao ínfimo detalhe.
Quando trouxe o resultado da primeira batalha a “D” ficou tão satisfeita e radiante que deu-me um beijo de parabéns. Eu ficara muito feliz e ela muito mais que feliz e orgulhosa.
A “D” tinha dezoito anos. Olhos e cabelos castanhos-escuros não muito compridos. Era relativamente alta, cara arredondada e elegante. A sua maior beleza, era a sua simplicidade e a ternura que irradiava à sua volta em tudo o que fazia. Não me lembro dum único gesto dela que pronunciasse sacrifício ou incómodo. A sua bondade, a sua dedicação e a amizade que manifestava causavam-me um sentimento de admiração que de dia para dia não parava de aumentar.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Pronto

Falar de infidelidade ou adultério na primeira pessoa do singular não é coisa fácil. Tenho andado a pensar como o deverei fazer da melhor forma.
Acho que devo desenvolver este tema passando pelas três fases da infidelidade e do adultério:
- O antes, o durante e o depois.
Vai ser um desafio transmitir sonhos, desejos, emoções e sentimentos que guardo na minha memória desde a adolescência. Nem estou certo se estarei à altura de tal desafio. Mas vale a pena tentar. Faço-o por mim e por todos aqueles que amam o amor.
Para ser genuíno, já tirei a máscara. Agora tenho que me despir para que todo o corpo da verdade evidencie toda a sua geografia. Deverei pôr a descoberto não só o corpo mas também os seus detalhes. Desde uma cicatriz imperceptível a uma unha encravada.
Estou pronto para tirar o véu...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Prefácio


O enquadramento foi dado:
- Casamento
- Monogamia
- Poligamia
- Adultério
Estas publicações, as primeiras de 2009, tiveram o objectivo de referenciar a traição. Uma vez que irei abordar este tema, não queria deixar de registar estas "condicionantes" que são pilares estruturantes que a sociedade "civilizada", instituiu por necessidade e que todos nós, cada vez menos consensualmente, as aceitamos como reais. Entenda-se por realidade aquilo que as pessoas, duma forma geral, aceitam como real...
Existe muita subjectividade à volta da realidade assim como em muitos dos tais pilares que nela estão contidos. A rebeldia da não aceitação de algumas realidades paga-se caro. Não são poucas as vezes que se fica marginalizado ou marcado a ferro e fogo para que a sociedade nos destinga e classifique. Mas, não menos pior, é quando por força das circunstâncias ou pela nossa própria natureza, mergulhamos na infidelidade, carregando o peso do desalinhamento em relação aos demais. Auto crucificamo-nos e condenamo-nos ao sentimento de sermos culpados dum crime sem absolvição. O peso que carregamos será tão mais pesado quanto mais extraordinária for a pessoa que traímos e quanto mais perfeita for a imagem com que a família, os colegas, os amigos ou simplesmente os vizinhos, nos vê...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Adultério

Adultério é uma palavra que significa literalmente na cama de outro(a) designando a prática da infidelidade conjugal.

O catolicismo adota uma posição ampla quanto ao pecado de adultério. A Igreja Católica não reconhece o divórcio. Desta forma as pessoas que se casaram religiosamente e, entretanto, começaram um novo relacionamento após divórcio civil, estão aos olhos desta religião em permanente estado de adultério, mesmo após celebrarem novo casamento civil.

Texto retirado da Wikipédia

Poligamia

Nos humanos, a poligamia é um tipo de relacionamento amoroso e sexual entre mais de duas pessoas, por um período significativo de tempo ou por toda a vida. É permitida por algumas religiões e pela legislação de determinados países.

Texto retirado da Wikipédia

Monogamia

A monogamia acontece quando um indivíduo só tem um único parceiro durante um determinado período de tempo. Este termo usa-se também para referir a existência de um único parceiro sexual durante toda a vida de um indivíduo.

Texto retirado da Wikipédia

Casamento

Casamento ou matrimónio é o vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante o reconhecimento governamental, religioso ou social e que pressupõe uma relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica são as relações sexuais, embora possa ser visto por muitos como um contrato.

Embora o casamento seja tipicamente entre duas pessoas, muitas sociedades admitem que o mesmo homem (ou, mais raramente, a mesma mulher) esteja casado com várias mulheres (ou homens, respectivamente). Embora muito raros, há algumas situações de sociedades em que mais que duas pessoas se casam umas com as outras num grupo coeso.
As pessoas casam-se por várias razões, mas normalmente fazem-no para dar visibilidade à sua relação afetiva, para buscar estabilidade económica e social, para formar família
, procriar e educar seus filhos, legitimar o relacionamento sexual ou para obter direitos como nacionalidade.
Um casamento é frequentemente iniciado pela celebração de uma boda
, que pode ser oficializada por um ministro religioso (padre, rabino, pastor, etc.), por um oficial do registo civil (normalmente juiz de casamentos) ou por um indivíduo que goza da confiança das duas pessoas que pretendem unir-se.

Texto retirado da wikipédia