quinta-feira, 31 de julho de 2008

Sociedade

Perguntaram-me o que é que eu penso sobre o Brasil em relação à França.
Depois de muito pensar, acabei por responder:

A França é bom mas é uma merda...
O Brasil é uma merda mas é bom...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Saber viver


Como saber viver?
Perguntei ao rio que tão bem fala através de mim…


Hoje, a esplanada do Azul Profundo no Parque das Nações estava abafada. Como estava muito sol e não corria brisa alguma, o calor debaixo dos toldos ficara retido e o efeito de estufa tornara ainda mais quente do que costume, aquele lugar que gosto tanto.
Almocei mais depressa do que o habitual para ir à procura do fresco junto aos pinheiros mansos que estão distribuídos ao longo da muralha que dá para o rio. Fui caminhando no sentido da Torre e detive-me na zona da República da Cerveja onde acabei por ficar junto ao varandim a observar o Tejo por algum tempo.

A maré estava vazia. Recuara ao ponto de deixar a descoberto o fundo lodoso fofo e achocolatado. As gaivotas, em pouco número, estavam distribuídas pela água e pelo lodo que entretanto esgravatavam à procura de alimento.
No momento em que perguntei ao rio como "saber viver", uma ave de grande porte aproximou-se e pousou junto à rebentação. As gaivotas agitaram-se e guardaram uma boa distância de segurança. A ave avançou um pouco dentro do rio até que as suas pernas longas ficaram meio cobertas de água. Parou, agitou o seu longo pescoço branco, acomodou as asas e concentrou-se na superfície da água.
A sua dimensão e aspecto faziam lembrar uma cegonha. Mais tarde, soube que se tratava duma garça-real.
Passado algum tempo, a garça fez um movimento descendente brusco com a cabeça e com uma velocidade incrível, apanhou um peixe com mais de dois palmos que segurou firmemente pelo bico. O peixe debateu-se freneticamente até ficar imóvel. A garça deixou-o cair na água, deu-lhe duas voltas com o bico e, depois de o ajeitar convenientemente, levantou-o erguendo o pescoço para depois o ingerir inteiro.
Eu fiquei atónito. Nunca tinha assistido ao vivo a uma cena daquelas ao mesmo tempo, tão brutal e espectacular.
O rio acabara de responder à minha pergunta como "saber viver"! Respondera-me como a natureza duma forma geral “sabe viver”. Ao mundo animal basta a sobrevivência e a procriação para que a sua espécie se mantenha. E isso, constitui toda a sua sabedoria ao longo dos milénios.
E nós os humanos? Nós que temos uma consciência, não nos basta a sobrevivência, a manutenção da espécie. Precisamos de dar um sentido à vida. Precisamos de satisfazer as nossas inúmeras necessidades, as nossas ambições, etc...
E eu? Como poderei eu "saber viver"?
Perguntei novamente ao rio.
Nada. Nem um sinal. Silêncio e tranquilidade absoluta.
A sua indiferença estava a criar-me um vazio enorme, um vácuo.
Seria possível?
Foi preciso algum tempo para que percebesse que eu estava a ter uma resposta. Afinal, a resposta que o rio me estava a dar era exactamente a TRANQUILIDADE.
Saberão viver aqueles que estiverem tranquilos consigo próprios pela vida que tiveram. Pela pessoa que foram, pelas opções que tomaram e por tudo o que não deixaram de fazer...

A garça-real partira. Ao longe ainda conseguia ver o movimento majestoso das suas asas. Seguia o seu instinto com direcção a sul.
Eu encarei o rio pela última vez naquela tarde. Ele não me deixou partir sem me perguntar: Estás tranquilo?
Afastei-me sem lhe dar resposta com o meu coração a doer...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Hoje às 09:00 na RTP 1




"...não estou a favor nem contra, antes pelo contrário"

O que é que ele quis dizer?
É como dizer acho que sim, mas penso que não!

Os políticos são cá uns poetas...

(Entrevista a um prestigiado político do norte do país)





terça-feira, 22 de julho de 2008

Realidade

A realidade é que estou a olhar para esta foto, que é real, e pergunto-me o que é que ela é? O que representa?
Ela é uma imagem, mas mais que uma imagem, ela é a opinião que cada um de nós tem sobre ela.

Curiosamente ou não, isto acontece com tudo o resto na nossa vida...

Felicidade

Definir a felicidade ou o amor tem sido o grande desafio de escritores e poetas ao longo dos séculos. Por mais que se escreva, por mais que se discuta e especule, este assunto nunca se esgotará em si mesmo. Definir é pôr fronteiras, é limitar ou reduzir a qualquer coisa. Logo, querer definir a felicidade ou o amor é tão pretensioso como querer explicar e definir todo o universo e o que ele contém numa simples frase…
Um dia escrevi que, mais importante do que saber quanto é que somos felizes, é procurarmos sê-lo. Recentemente, escrevi que «a felicidade e o amor estão fora de mim». É exactamente a propósito desta última afirmação, que vou escrever um pouco na primeira pessoa do singular, mais sobre a felicidade do que o amor.

A felicidade é real, existe. Eu posso senti-la. Assim como posso sentir a sua ausência. Posso senti-la com mais ou menos frequência, com mais ou menos intensidade. Tudo depende da sua proveniência e da minha valoração sobre o que me faz sentir verdadeiramente feliz, da minha sensibilidade e forma de estar na vida.

Pergunto-me muitas vezes se sou feliz. Envergonho-me com a resposta que dou a mim mesmo. Sinto que não estou a ser justo. Tenho tudo para ser feliz mas o que sinto é o amorfismo. Sei que tudo está na minha consciência. Sou eu que defino os critérios. Mas como é que faço para aceitar serenamente a minha realidade de vida? Como é que eu inverto isto?
Freud dizia que “a criança é o pai do homem”. Será que sonhei demasiado em adolesceste? Será que elevei demasiado a fasquia?
Concretizei a maioria desses sonhos. Alguns até os ultrapassei a um nível que nem sequer imaginava ser possível. Então onde está o motivo da minha tristeza? Desta vontade de ter e não ter? De sentir o que não sinto? Ou de precisar de sentir o que sempre quis sentir?
Acontece que o amor, aquele que idealizei ao som dos Demi Roussos, continua naquele tempo em que as coisas ainda estavam no princípio, continua na tal criança.
Estou convicto que a minha felicidade, aquela que me fará ver o mundo “cor-de-rosa”, que me dará energia e ânimo para continuar o meu caminho, dependerá de alguém que provavelmente, nunca irei encontrar.
É por isso que afirmo que «a felicidade e o amor estão fora de mim».

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Hoje


é já tempo de me procurar?
e já hora de mudança?
quantos dias tenho de aguardar
e perder
p'ra ganhar a confiança?

vou atrás de quem me empurrar?
ou ficar à minha espera?
que conselhos devo acatar
e esquecer
para me encontrar de novo?

hoje quem me diz que sim
amanhã já diz que não
em quem devo acreditar?
hoje vou escolher por mim
amanhã terei razão?
hoje é dia de arriscar
dia de arriscar...

se esta vida não descarrilar
vai fazer-me andar ás voltas
p'ra sair do escuro vou saltar
e saber
se o destino marcou hora

Letra dos Delfins
Miguel Ângelo, obrigado pelo espectáculo de ontem no Casino Estoril

sábado, 12 de julho de 2008

Deus

«Deus é infinitamente bom para todos aqueles que...»

Ouvi esta frase na passada sexta-feira na Rádio Renascença quando ia de carro para casa. Não deixei a frase chegar ao fim e mudei de posto para a TSF para ouvir as notícias. Era meia-noite. Estava cansado e sensível.
O eco da frase que tinha acabado de ouvir na RR abafou completamente o noticiário que desejava ouvir e, sem que eu fizesse alguma coisa por isso, as minhas células cerebrais entraram em actividade acrescida. As suas trocas electroquímicas não pararam de processar informação. O banco de dados em memória foi várias vezes consultado e, depois de analisada e filtrada toda a informação, eis que surge a seguinte ideia:

Se Deus é infinitamente bondoso e omnipotente, então porquê que há tanta maldade no mundo?

Talvez Ele ande distraído a passear pelo Universo que criou. Um espaço tão imensamente grande não deve ser fácil visitar apenas em dois mil anos. Só pensar que o nosso sistema solar faz parte duma galáxia com milhares de milhões de estrelas e que o universo tem milhares de milhões de Galáxias com um número infinito de estrelas que estão a mais de um milhão de anos-luz de nós, não admira que Ele não tenha muito tempo para olhar para este pontinho azul com seres tão insignificantes.
Ou talvez Ele esteja mais dedicado a descobrir a cura de doenças que ajudou a desenvolver com a criação de micróbios e bactérias que matam milhares de crianças e adultos.
Também poderá estar ocupado a ver se descobre o paradeiro do Bin Laden para que este convença os muçulmanos a não se rebentarem activando bombas altamente destrutíveis junto de inocentes.
Ou, uma vez que é omnipotente, poderá estar a despender algum tempo para que cheias, terramotos, tsunamis, incêndios e outras catástrofes, nos divirtam com tanta destruição, fome e morte.
Ele não é apenas bondoso. É infinitamente bondoso. E os hospitais estão cheios de gente que até para morrerem têm que sofrer horrivelmente.

Bondade e omnipotência. Que grande contradição!
Como Ele também é omnisciente, talvez venha a saber desta mensagem e me castigue como castiga com a sua bondade, todos aqueles que pecam.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Colo

Sinto-me cansado, carente.

Tantas horas de trabalho para conseguir "coisas".
Tenho levado a vida assim, a trabalhar para conseguir "coisas".
Não quero levar a outra metade da vida assim. A trabalhar desalmadamente para manter as "coisas" que consegui.
Quero tanto dar outro sentido à minha vida!
O que é que eu ando a fazer?
Ou melhor, o que é que eu ando a perder?
Sinto-me cansado, carente. Preciso de colo...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Alma


Este corpo é meu!
Se digo, este corpo é meu, então quem sou eu?
Sou pensamento? Consciência?
Se o meu corpo desaparecer o que me acontece?
Continuarei a ser eu mas sem o meu corpo?
Imaginando que sim, como poderei eu reconhecer-me quando toda a informação armazenada na minha memória se perder com o desaparecimento do meu corpo?



quarta-feira, 2 de julho de 2008

Fora de mim


O Amor, a Felicidade, estão fora de mim!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sei lá...


Sei lá.
Resposta que dou a mim mesmo cada vez mais frequentemente. Não se trata apenas de questões relacionadas com a política e a economia actual. Ou, com a problemática da energia, da mudança do ambiente e as suas consequências. A guerra entre os povos, o terrorismo e a violência de uma forma geral. A fome, a miséria, as desigualdades sociais e a injustiça. Mas, também questões mais subjectivas como sejam o amor, a felicidade ou a propria realidade da vida. Há tanta coisa que não consigo explicar, que não compreendo e que tenho tantas dúvidas.


O "Sei lá", não invalida que não me interesse pelas coisas e que esteja indiferente ao que me rodeia. Acontece que estou muito descrente em relação às pessoas, aos políticos, àqueles que decidem o que é melhor para nós e para o mundo. Mas também descrente em relação a mim próprio e a Deus. O Deus que as pessoas criaram ou o Deus que criou as pessoas.


É de tanto querer e não ter, de tanto desejar e não encontrar que eu respondo a mim próprio com os olhos semi-cerrados em jeito de reflexão expectante, sei lá.

? Vida


A vida é uma linha mista com a forma de um ponto de interrogação. A harmonia do seu desenho, depende da capacidade que cada indíviduo tem em se interrogar e interagir com o meio.